BRAZILIAN GROOVES – MPB, BREGA, SOUL, BLACK E SAMBAROCK – #1
Sérgio Mendes: o brasileiro que levou a bossa nova para o mundo e ensinou os americanos a dançar
Pianista, arranjador e visionário, ele construiu uma ponte musical entre o Brasil e os Estados Unidos que jamais será esquecida

Quando a gente fala de brasileiros que conquistaram o mundo, tem um nome que vem logo à cabeça de qualquer amante da boa música: Sérgio Mendes.
Pianista, arranjador, compositor e produtor, Mendes foi um dos grandes responsáveis por apresentar a bossa nova e os ritmos brasileiros para o público americano e europeu. Não foi tarefa fácil, mas ele fez com tanto talento e carisma que acabou virando uma lenda.
Sérgio Santos Mendes nasceu em Niterói, em 11 de fevereiro de 1941 . Começou os estudos de piano clássico ainda criança, mas foi o encontro com músicos como Antônio Carlos Jobim e João Gilberto que mudou sua vida para sempre . Ele mergulhou de cabeça no movimento da bossa nova e, no início dos anos 1960, já tocava nas boates de Copacabana.
A virada: a jornada para os Estados Unidos
Em 1964, Sérgio Mendes fez as malas e partiu para os Estados Unidos. Não foi uma mudança fácil a barreira do idioma era real e o mercado musical americano, naquela época, não estava exatamente aberto para ritmos brasileiros. Mas ele não desistiu.
Ao lado de um grupo de músicos talentosíssimos, formou o Brasil ’66 (depois batizado de Brasil ’77, Brasil ’88, e por aí vai). A formação original contava com as vozes inconfundíveis de Lani Hall (que mais tarde se casaria com Herb Alpert, dono da gravadora A&M) e Bibi Vogel .

O som que conquistou o mundo
O diferencial do Sérgio Mendes & Brasil ’66 era genial: eles pegavam canções brasileiras muitas vezes já conhecidas e as apresentavam com arranjos sofisticados, vocais em inglês e aquele piano gostoso que só o Sérgio sabia tocar. O resultado foi uma explosão.
Em 1966, o grupo lançou o álbum “Herb Alpert Presents Sérgio Mendes & Brasil ’66”, que trazia a versão inesquecível de “Mas Que Nada” (composição de Jorge Ben Jor). A música virou um hit mundial e, de repente, o mundo inteiro estava dançando e cantando uma canção brasileira. O álbum ficou entre os 10 mais vendidos nos EUA .
Nos anos seguintes, vieram outros sucessos:
- “The Look of Love” (de Burt Bacharach), com a voz de Lani Hall, que alcançou o Top 10 da Billboard em 1968
- “The Fool on the Hill” (dos Beatles), que entrou no Top 10 em 1969
- “Scarborough Fair” , mais um hit que emplacou nas paradas
Ao todo, Sérgio Mendes & Brasil ’66 vendeu mais de 55 milhões de discos em todo o mundo , com 18 álbuns que alcançaram os charts americanos. O grupo ganhou três estatuetas do Grammy e foi indicado a um Oscar por “The Look of Love” (1968) e “Real in Rio” (2011) .
A volta do reconhecimento no Brasil
Curiosamente, enquanto o sucesso nos Estados Unidos era estrondoso, muitos brasileiros torciam o nariz. Achavam que o som do Sérgio Mendes era “americanizado demais” ou “muito comercial”. Mas o tempo tratou de colocar cada um no seu lugar.
Nas décadas seguintes, o músico foi reverenciado como um dos grandes embaixadores da música brasileira no exterior. Ele colaborou com gigantes como Stevie Wonder, Justin Timberlake, will.i.am, John Legend, Black Eyed Peas e a nova geração do pop .
O legado
Em dezembro de 2024, Sérgio Mendes nos deixou aos 83 anos, em decorrência de complicações da Covid-19 . A notícia comoveu o mundo da música de Barack Obama a Paul McCartney, passando por Stevie Wonder e vários artistas brasileiros.
Mas seu legado permanece vivo. A cada sample, a cada versão, a cada jovem músico que descobre “Mas Que Nada” pela primeira vez, Sérgio Mendes continua tocando. Ele não apenas levou a bossa nova para o mundo: ele mostrou que a música brasileira podia dialogar com o pop, com o jazz, com a soul music, e sair vitoriosa dessa conversa.
“Sérgio Mendes foi um dos maiores embaixadores da nossa música no mundo. Ele tinha um dom raro: modernizar o brasileiro sem descaracterizá-lo.”
Uma curiosidade para fechar:
Sérgio Mendes foi uma das principais inspirações para o movimento do tropicalismo . Artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil admiravam sua capacidade de criar um som universal sem perder a brasilidade. E, em 2012, ele foi tema de um documentário chamado “Sérgio Mendes: In the Key of Joy” , dirigido por John Scheinfeld, que mostrou sua trajetória de forma emocionante .
Para ouvir agora (essenciais):
| Música | Álbum | Ano |
|---|---|---|
| Mas Que Nada | Herb Alpert Presents Sérgio Mendes & Brasil ’66 | 1966 |
| The Look of Love | Look Around | 1968 |
| The Fool on the Hill | Fool on the Hill | 1969 |
| Scarborough Fair | Sérgio Mendes & Brasil ’66 | 1968 |
| Real in Rio (com Carlinhos Brown) | Rio (trilha sonora) | 2011 |








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